segunda-feira, 9 de maio de 2016

The Babadook e como os filmes de terror voltaram a me surpreender



Não posso dizer que sempre fui fã de filmes de Terror. Meu negócio são filmes de ação ou suspense. Porém sempre tive um apego a alguns filmes, como Halloween (que acontece de ser meu suspense favorito), Nightmare on Elm Street, Enigma de Outro Mundo, etc. Conforme a indústria de filmes foi mudando, os filmes mudaram, alguns para melhor e outros para pior. Os filmes de terror em sua maioria mudaram para pior. Claro, filme ruim não é coisa nova, no passado teve muito filme ruim, até de terror. A diferença é que no passado os filmes eram ruins por causa da inconsistência na história, edição mal feita ou atuação questionável.  Hoje, além de todas essas coisas aí, tem um vício em diversos clichês cansativos que já foram feitos mil vezes e um abuso de jumpscares. E TEM GENTE QUE GOSTA MESMO ASSIM. Tudo bem, gosto não se discute ou algo assim.
Por causa dessas e outras eu acabei deixando filmes de suspense ou horror pra lá. Desisti. Até um certo dia deste ano em que eu estava na Netflix e o sistema recomendou o filme chamado "The Babadook". Eu assisti e fiquei surpreso. Tipo, muito surpreso.

A história é sobre Amelia, que sofre um acidente de carro com o marido quando ele dirigia em direção ao hospital pois o filho Samuel estava para nascer. Ela sobrevive e tem o bebê, mas o marido morre no acidente. Desde então a viúva vive uma vida perturbada, criando sozinha um filho que ela parcialmente culpa por tudo o que aconteceu. Ela ama o filho, porém o garoto vive tendo pesadelos e arrumando encrenca, o que acaba deixando ela mais instável ainda. Por causa dos problemas de sono de Samuel, Amelia costuma ler histórias para ele. Um dia o menino encontra um livro estranho no porão chamado "Senhor Babadook" que conta a história de um espírito que visita as crianças a noite.


Amelia diz que o livro é pesado demais para ser lido e o deixa de lado, até que o próprio livro começa a assombrá-la e ameaça possuir ela, fazê-la matar o próprio filho e depois se matar.

(sim o livro é um popup, quero muito uma cópia pra mim <3)

A partir o filme se desenrola, a mãe tenta resistir o espírito e etc. Não falarei muito pois quero que as pessoas assistam, eu recomendo. Vamos ao que eu gostei no filme. O tom é ótimo. Não é um filme super dark nem apelativo demais com sangue e cores pra todos os lados (tipo aqueles trocentos filmes de terror com adolescente transando antes de morrer). Várias referências sobre o "monstro" aparecem no filme todo (uma está nas imagens deste post *pisca*). No filme todo o medo de Amelia sobre o monstro é representado em detalhes, como quando ela está assistindo a TV e um homem de capa e cartola preta aparece. Ela vê uma capa e cartola penduradas onde a fantasia de mágico do filho deveria estar. Raramente existem jumpscares no filme todo (apenas um que me incomodou muito quando aconteceu mas deixei passar). O filme é tão minimalista que se não fosse pelo livro assombrado e a eventual aparição do monstro eu acreditaria que tudo aquilo está na cabeça dela e o Babadook é na verdade a representação do rancor que ela tem sobre o filho e a culpa que ela coloca parcialmente nele sobre a morte do marido. O monstro também parece ser uma referência aos vilões de filmes de terror dos anos 20, o que eu acho genial pois amo esse tipo de filme.



A única coisa que me incomodou, além do jumpscare que mencionei, foi quando mostraram o rosto do monstro. Em parte porque estragou todo esse "undertone" que o filme mostrou, em parte porque... o rosto tá ridículo.

(QUE DROGA É ISSO?)

O bom é que esse momento não foi um jumpscare, mas mesmo assim que ideia foi essa? Ele nem é um monstro que precisa de rosto, o medo dele vem de como ele manipula a mente da vítima e eventualmente obriga ela a fazer algo horrível. É sobre influência e abuso de um sentimento ruim que alguém tem. Ele aproveita o sentimento negativo que ela tem sobre o filho para que a mãe mate o garoto. Eu não tenho problema sobre monstros com rosto, mas ele só deve ter um rosto quando faz sentido. Freddy Krueger faz sentido porque o que ele fala e como ele fala assusta a vítima, então faz sentido. Em uma criatura como o Babadook que é sobre o medo silencioso não faz o menor sentido. Provavelmente fizeram isso pra agradar as pessoas que curtem os filmes de terror de hoje em dia, que jogam tudo na sua cara mesmo que seja ridículo. Ao menos essa revelação foi rápida e aconteceu apenas uma vez, no resto do filme, mesmo quando ele aparece de corpo todo, é apenas a sombra de uma capa e cartola com garras enormes. Não existe rosto. Até os desenhos do livro são mais assustadores que isso aí.


O filme em si não é perfeito, tem alguns dos clichês que foram feitos antes (de novo, além do maldito jumpscare), ainda assim conseguiu me surpreender porque ele não apresenta esses momentos como os filmes de terror atuais geralmente fazem. Talvez exista uma esperança. Talvez eu devesse voltar a dar atenção para esse tipo de filme hoje em dia. Talvez eu até tenha perdido alguma coisa ótima. Por favor, assistam esse filme. Se você não curte filmes de terror, tudo bem não precisa, mas se tu gosta por favor dê uma olhada. É um filme diferente.

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